Mas, paralelo a isso, também está aparecendo novos assuntos dentro desta modalidade que envolve movimento. Desenvolvedores de exergames, em ambientes universitários, estão produzindo soluções para organizações. São os jogos para fazer com que os funcionários possam se exercitar. São os chamados jogos corporativos do movimento.
Muitas empresas estão adotando, durante alguns minutos durante o dia, uma parada para que os funcionários possam praticar movimentos, ditos essenciais para melhorar seus rendimentos intelectuais. Lembram das ginásticas corporativas das décadas de 70, 80, 90. È mais ou menos isso, só que em frente de uma grande tela.
Pensando nisso, a pedagogia, psicologia e a neuroeducação, são áreas que estão olhando com bons olhos soluções ligadas a área do ensino-aprendizagem.
Desta maneira, desenvolver jogos para ensinar os colaboradores de uma organização para aprenderem algo, colocando os corpos como co-partícipes para chegar à solução de problemas propostos, tem sido o grande esforço dessa indústria que movimentou no ano passado U$ 27 bilhões de dólares em todo o mundo. Só nos EUA, várias empresas passaram a adotar esses jogos como estimuladores de melhorias organizacionais.
Trabalhando com a ideia de que o computador proporciona condições para que os colaboradores consigam, através de jogos, como ping-pong, tênis, basquete, vôlei e tantos outros, se movimentar diante da grande tela e suarem a camisa, é a saída para as tensões do dia a dia, melhorando seus níveis de resultados e tomadas de decisão. Por diminuírem os níveis de stress, acredita-se serem indicados para tais tipos de trabalhos, tão sedentários como os indivíduos que ficam sentados oito horas por dia.
Pensando nessa possibilidade onde a informática se une a educação física para descobrirem juntas uma saída para resolver antigos problemas dos escritórios, também podemos imaginar que a interdisciplinaridade enquanto metodologia, preconiza juntar duas ou mais áreas de conhecimento para tentar resolver problemas típicos das organizações. Assim, nasce também outra filosofia empresarial intitulada interdisciplinaridade corporativa, que vem avançando gradativamente nos contextos organizacionais, por entender que as ciências em separado não dão mais conta para resolver os problemas da sociedade, tão pouco dos universos educacionais, tanto no ensino escolar quanto universitário.
Em meu livro intitulado, ENSAIOS – Interdisciplinaridades e Pesquisas Científicas em Sala de Aula, trabalho exatamente esta questão. A união em alguns momentos curriculares, de dois ou mais professores debatendo temas sobre os fenômenos observáveis, podem elucidar e potencializar a aprendizagem de maneira espantosa. Mas entendendo a interdisciplinaridade não como dois professores, debatendo seus pontos de vista sobre a questão. Mas ambos buscando no contorno das duas áreas de conhecimento, o viés para analisarem junto o problema, abordando assuntos dos quais, nenhum dos dois dominam completamente, mas que juntos buscam entender os fenômenos.
Isto é explicado porque entre duas áreas de conhecimento existe uma fina e estreita camada de construtos epistemológicos que os professores não buscam “navegar”, tendo em vista que para isso precisariam um do outro para que discutam o tema nebuloso.
Muitas escolas cometem a hipocrisia de acharem que estão promovendo a interdisciplinaridade propondo temas anuais em que os professores de todas as áreas contribuem com seus conhecimentos para no final tornar visível apenas uma grande colcha de retalhos científicos. Nenhum deles buscou navegar na linha divisória que separa as ciências e é onde estão ricas contribuições para contribuírem na resolução dos problemas.
Também as organizações buscam erroneamente trabalhar com estruturas interdisciplinares onde os setores e departamentos dão seus pareceres, mas ninguém sai de seu “cercadinho”. E no final se descobre que não intersecionaram seus conhecimentos em nenhum momento, tendo apenas descritas as suas áreas já conhecidas. E os problemas permanecem.
Mas porque este assunto junto com os exergames? Porque eles estão sendo projetados para trabalharem interdisciplinarmente, juntando as áreas, promovendo trocas das quais precisam ser pensadas pelos departamentos, e a solução, aparentemente não nasce num ou noutro departamento ou setor, mas em atitudes de dois ou mais departamentos em conjunto, provocando uma força estrondosa em direção à solução do problema.
Os próximos desafios é considerar que os novos colaboradores sejam despertados não só para a especialização, posto que sejam importantes, mas também para entendimentos sistêmicos sobre como a empresa existe, se sustenta, se desenvolve e se percebe a todo o momento. E para isso, um olhar interdisciplinar, corporativamente, é mais do que necessário, é fundamental.
Empresas criam diferenciais em seus produtos, em seus processos, e na formação dos seus colaboradores. E agora, também devem se constituir interdisciplinares, para poderem enxergar mais do que departamentos, ou setores na organização, posto que a empresa não seja paredes que dividem processos, fluxos e informações. A organização é uma ideia coesa, integral, sistêmica, holística, global. Assim também seus integrantes devem enxergá-la.
Bem vindos os exergames e suas aplicações na direção de permitir avanços interdisciplinares nos comportamentos, nas atitudes, e agora também nas habilitações e capacitações, para não dizer apenas entretenimentos. Pense nisso!
Professor Cláudio de Musacchio
http://musacchio.webnode.com.br
10/05/2012
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